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História da Gráfica: Gutenberg, livros portáteis e a Bíblia do Pecador

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História da Gráfica: Gutenberg, livros portáteis e a Bíblia do Pecador

Esta é a segunda parte de uma série de artigos que se focam na história da gráfica. Se bem se recorda, no artigo anterior recordamos as origens da imprensa, no qual se incluem o surgimento do papel e a conceção do livro. Ainda que tais desenvolvimentos tenham, de facto, propulsionado a gráfica e a sua história, a verdade é que a grande descoberto revolucionou o meio foi a invenção do homem chamado Johannes Gutenberg.

Estamos em 1436 quando Gutenberg começa a trabalhar naquilo a que chama de imprensa. O estranho mecanismo a que dava forma toma 4 anos do seu trabalho: tratava-se de uma estrutura de madeira e metal, que procurava automatizar o processo de impressão através de uma prensa mecânica. Entre as suas primeiras publicações, que foram impressas através desde novo dispositivo, encontram-se as famosas bíblias de Gutenberg. Estima-se que a primeira edição tivesse 40 linhas por página e que, uma versão posterior, contasse com 42 linhas. Os trabalhos eram publicados em dois volumes.

Em 1465, as primeiras gravuras em drypoint são criadas pelo Housebook Master, um artista do sul da Alemanha que começa a dar novos passos no mundo cada vez mais emergente e definido da gráfica. O drypoint é uma técnica na qual uma imagem é incisada numa placa (de cobre) com uma “agulha” de ponta dura de metal afiado ou um ponto de diamante.

Na sua loja de impressão em Veneza, John e Wendelin de Speier estão provavelmente a usar o tipo romano puro, que não se parece mais com os textos manuscritos que outros artistas tinham tentado imitar até então. Em 1476, William Caxton compra equipamentos na Holanda e estabelece a primeira impressora em Inglaterra, em Westminster. A pintura abaixo mostra Caxton a apresentar a sua máquina ao rei Eduardo IV.

No mesmo ano, gravuras de cobre são utilizadas pela primeira vez para fazer ilustrações. Com gravuras, um desenho é feito numa placa de cobre cortando sulcos: algo que parece ainda primitivo, mas que acaba por ser um importante passo na história da gráfica.

No final do século XV, a impressão tornou-se estabelecida em mais de 250 cidades em toda a Europa. No espaço de 100 anos, sensivelmente, assiste-se a uma revolução e a uma massificação de um processo que o Homem procurava há milénios. No entanto, este não é o fim: um dos principais desafios da indústria é a distribuição, o que leva ao estabelecimento de inúmeras feiras de livros.

No século XVI, é Aldus Manutius quem apresenta a primeira impressora capaz de imprimir livros menores e mais portáteis. Até então os livros impressos eram grandes tomos, de capa pesada, que se tratavam de objetos limitados a um espaço único, quase como se fossem peças de mobiliário. Manutius é também o primeiro a usar o tipo Italic que tão bem conhemos, projetado pelo punchcutter veneziano Francesco Griffo.

   

No ano de 1507, Lucas Cranach inventa o woodcut do claro-escuro, uma técnica na qual os desenhos são reproduzidos usando dois ou mais blocos impressos em cores diferentes. Não muito longe, o italiano Ugo da Carpi começa a usar uma das impressoras que utiliza tais gravuras em madeira.

Falemos então da “Historia Veneta” (1551), um dos muitos livros de Pietro Bembo que nos chega até hoje como um dos trabalhos mais belos da impressão no século XVI. Tratando-se Bembo de um estudioso veneziano e cardeal, mais famoso pelo seu trabalho na língua e poesia italianas, o cardeal foi o responsável pela impressão do livro que se encontra abaixo e pelas técnicas gráficas que nele incorpora. O tipo de letra Bembo recebeu tal nome em sua homenagem.

Christophe Plantin é um dos nomes mais importantes deste século. Na sua gráfica em Antuérpia, produz bons trabalhos ornamentados com gravuras depois de Rubens e outros artistas. Muitos dos seus trabalhos, e alguns dos equipamentos da loja, podem ser admirados no museu Plantin-Moretus.

E avançamos, portanto, para o século XVII. Plantin é um nome importante da história da gráfica, que de igual forma o século XVII, visto que é a ele que se atribui a primeira impressão de um fac-símile. Para quem não sabe, um fac-símile é uma reprodução de um livro antigo, manuscrito, mapa, impressão de arte ou outro item que é tão fiel à fonte original quanto possível.

A bíblia pouco católica

No século XVII algo de inédito acontece e este é um episódio divertido de se contar mas que, na altura, não terá sido nada divertido. Tudo acontece quando a palavra “não” é acidentalmente deixada de fora do texto Êxodo 20:14, numa reimpressão de 1631 da Bíblia. O arcebispo de Canterbury e o rei Carlos I não acham piada nenhuma quando descobrem que Deus ordenou a Moisés: “Cometerás adultério”. As gráficas, Robert Barker e Martin Lucas, são multadas e revogaram a sua licença de impressão por este pequeno (grande) detalhe. Esta versão da Bíblia é referida como a Bíblia malvada, Bíblia adúltera ou Bíblia do pecador.

Em Paris, a Imprimerie Royale du Louvre é criada em 1640 por instigação do cardeal Richelieu. O primeiro livro que é publicado é “De Imitatione Christi” (The Imitation of Christ), um livro espiritual cristão católico amplamente lido que foi publicado pela primeira vez em latim em 1418.

No próximo artigo vamos cobrir ao detalhe os avanços registados na história da gráfica nos séculos XVIII e XIX.

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