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Qual é a História do Cartaz enquanto meio de promoção?

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Qual é a História do Cartaz enquanto meio de promoção?

Nos dias que correm, estamos sempre rodeados por cartazes. Seja em casa, onde temos imagens dos nossos filmes favoritos ou das bandas musicais que adoramos, seja nas lojas, onde vemos cartazes a promover descontos e produtos novos. Até mesmo na rua encontramos muitos deles surgindo por vezes em locais inoportunos. Quantas vezes já viu cartazes colados em paredes, caixotes do lixo ou candeeiros?

Ainda assim, o cartaz nem sempre esteve aqui e, como tudo o que existe neste mundo, resultou da criatividade humana. Ao olharmos para a história, não tardamos a perceber que os primeiros cartazes – ou aquilo que viria a dar lugar um dia a um cartaz – surgiu por volta do século X, em plena Idade Média, quando começaram a surgir no Oriente as primeiras xilogravuras produzidas em madeira.

Na Europa Ocidental, aquele que é considerado o primeiro cartaz é então datado ao ano de 1454, ou seja, em pleno século XV. Nesta época em que a arte renascentista prosperava, este primeiro cartaz de Saint-Flour foi elaborado apenas com manuscrito e não contava com nenhuma imagem.

A imagem só viria a ser incluída no final do século XIX. É aqui que o cartaz começa a assumir a forma pelo qual o conhecemos hoje. Por esta altura, os artistas começam a explorar áreas ainda por explorar e a conciliar texto e ilustrações lado a lado: é assim que, gradualmente, surgem os primeiros cartazes, que por muito engraçado que nos possa hoje parecer, promoviam espectáculos noturnos em cabarets como o Moulin Rouge.

Este movimento artístico deve-se muito ao trabalho e estudo de artistas plásticos da época e que terá começado, essencialmente, com Jules Chéret. Filho de um compositor tipográfico e aprendiz de um litógrafo em Paris, Jules Chéret prosseguiu os seus estudos em Londres, onde estudou técnicas mais recentes da altura. Ao regressar a Paris, em 1860, começa a desenvolver um sistema de 3 a 4 cores de impressão. O estilo de Cherét atingiu o seu auge por volta de 1880 e foi adoptado e desenvolvido por outros artistas como Pierre Bonnarde e Toulouse-Lautrec.

Reconhecido por retratar cenas da vida nocturna e do submundo parisiense, Toulouse-Lautrec, por exemplo, assinou centenas de cartazes de divulgação de espectáculos de cabaré então reproduzidos através de pedras litográficas. É assim que os trabalhos de Toulouse-Lautrec, através do seu toque impressionista, estimulam a arte publicitária e lhe conferem uma maior popularidade.

A litografia colorida tornou-se assim disponível no final deste século, possibilitando aos artistas da época trabalhar directamente na pedra, sem as restrições da impressão tipográfica. Este avanço tecnológico foi responsável pelo florescimento e difusão dos cartazes impressos.

A evolução dos cartazes acontece a par com a Segunda Revolução Industrial que teve lugar na Europa no início do século XX. Com os avanços tecnológicos na área gráfica, entre os quais se destacam o desenvolvimento da técnica da litografia colorida, a arte dos cartazes dá um grande salto e começa a ser usada de forma criativa e para fins publicitários.

Basta olharmos para os cartazes desta época para identificarmos rapidamente pontos comuns. A figura feminina, por exemplo, marca presença na maior parte dos cartazes desta época que é recordada como Arte Nova. Longos cabelos ondulados, decoração floral e traços orgânicos são visíveis na maior parte dos cartazes desta época.

Entretanto, o cartaz enquanto forma de arte recebeu grandes contributos por parte do design russo. Tais cartazes, que começaram a surgir com a ascensão do governo soviético, tinham um carácter fortemente propagandístico. Ainda assim, por estar diretamente envolvido com as vanguardas artísticas e porque assimilava as influências da indústria, acabou por reflectir traços que ainda hoje se mantêm.

A época de ouro da história do cartaz

As décadas 20 e 30 do século XX foram de ouro. Durante este período entre as duas grandes guerras mundiais, assiste-se ao nascimento de movimentos artísticos no campo da pintura e do design. Nomes como Bauhaus, De Stijl, futurismo, cubismo, entre outros tornam-se conhecidos e característicos desta época. Por esta altura, o valor publicitário do cartaz torna-se mais evidente e este começa a ser usados para promover produtos comerciais e eventos. O objetivo era estimular a venda.

O período da Segunda Guerra Mundial foi marcado por intensos espíritos nacionalistas. O cartaz começa a ser usado como uma ferramenta de propaganda para promover os esforços de guerra, propagar informações sobre os eventos a acontecer no campo de batalha e incentivar o recrutamento militar. Ainda que tendo como pano de fundo um cenário tão negro, a verdade é que o design enriqueceu bastante nesta altura.

Com o final da guerra, os designers voltam a concentrar o seu trabalho na produção de cartazes publicitários que, herdando muitas das características dos cartazes de guerra, se apresentam com um estilo mais simples, directo, eficaz e humorístico.

Durante a década de 60, os cartazes foram cada vez mais encarados e vendidos como obras de arte para serem emoldurados e pendurados nas paredes. Movimentos de fundo político/social, como o Flower Power, acabaram por influenciar de forma decisiva o design gráfico, entre eles o movimento estudantil, o psicodelismo e o punk.

A partir dos anos 70, com o aparecimento do computador e avanços significativos da tecnologia, os designers passam a ter uma maior liberdade para manipularem a imagem e construírem cartazes. Hoje, o computador é uma ferramenta essencial para o design de cartazes. As combinações criativas entre fotografia, ilustração e trabalho tipográfico continuam a emergir no dia-a-dia, provando a todo o momento a força das tecnologias digitais ao serviço desta forma de comunicação.

 

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